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3 de julho de 2016

Equipe Olímpica Feminina do Brasil 2016

por marcelopomar

 

A nova geração do Xadrez Feminino brasileiro mostra sua cara!

A Confederação Brasileira de Xadrez inovou em 2105 ao estabelecer um ciclo relativamente claro e democrático para definir a composição da equipe feminina que representará o Brasil na 42ª Olimpíada de Xadrez, em Bakú, Azerbaijão, no próximo mês de agosto de 2016.

Qualquer jogadora regularmente filiada à CBX pôde sonhar com as vagas, que foram definidas através do calculo médio das quatro melhores performances em torneios Abertos do Brasil, sendo assim escolhido o grupo de atletas que representará o xadrez feminino do Brasil.

E a configuração ficou boa, expressando de maneira equilibrada a nova geração com os nomes de Khatiê Goulart, Julia Alboredo e Thauane Medeiros, com algumas atletas mais conceituadas e experientes como Juliana Terao e Suzana Chang. A ausência sentida naturalmente é da WMI Vanessa Feliciano, número 1 do Brasil em diversas listas da FIDE, quatro vezes campeã nacional, e representante olímpica em três das últimas quatro olimpíadas.

A verdade é que Feliciano não se manteve ativa nos últimos dois anos, jogando apenas dois torneios válidos pelo ciclo olímpico, além dos Jogos Abertos de Santa Catarina e dos JAI’s (Jogos Abertos do Interior, São Paulo). Não se sabe ao certo se essa foi uma decisão consciente da Feliciano, que poderia estar cansada do Xadrez, mas é uma perda considerável no plantel nacional. O fato é que mesmo inativa, certamente ela poderia constar nesse grupo como uma exceção, dada sua notória força em relação ao conjunto do xadrez feminino no Brasil. Um elemento adicional à triste ausência de Vanessa Feliciano é reparar que assim como Tatiana Ratcu, o Brasil parece fadado a desperdiçar seus melhores talentos com chances de chegar aos títulos mais nobres do Xadrez.

vanessafeliciano

WMI Vanessa Feliciano, fora da listagem de convocadas para 2016

O método não é todo democrático, porque afinal para jogadoras mais distantes dos principais centros do xadrez nacional, fica difícil participar dos Abertos em condições de igualdade para atingir performances mais altas, mas isso não é algo que se possa resolver num passe de mágica, a curto prazo.

olimpica navisad

Equipe feminina em Novi Sad, Iugoslávia 1990. À direita em primeiro plano a lendária Palas Atena Veloso.

No geral a avaliação é que o ciclo foi positivo, estimulou o xadrez feminino nacional, desvelou as forças da nova geração, lhes dando a oportunidade de representar o Brasil na principal competição mundial da modalidade. Talvez não tenhamos a equipe mais forte, mas certamente a mais democrática dentro das possibilidades. A pergunta que fica é se o critério poderia ser estendido também à equipe absoluta? Ou nesse caso sempre teremos equipes convocadas a partir de critérios, digamos, mais subjetivos?

equipe2014

Equipe Olímpica de 2014, com Aranha (técnico), Feliciano, Ribeiro, Terao, Joara e Chang

A Xadrez do Brasil entrevistou o técnico Álvaro Aranha, que acompanhou a seleção feminina nas últimas três Olimpíadas, sobre essas significativas mudanças e as perspectivas. Na entrevista soubemos pelo Álvaro que esse ano ele não estará mais à frente do grupo, por outros compromissos profissionais, e para acompanhar sua mãe em tratamento para derrotar o câncer. Confira!

XDB: 1) Álvaro, como vc avalia o resultado final do ciclo olímpico feminino. A fórmula deu certo?

AA: “Eu acho que as 5 que apresentaram melhor xadrez ao longo dos 2 anos, foram as que classificaram. Acho que a fórmula é muito boa e temos uma clara melhora no nível médio do xadrez feminino e as meninas estão se mantendo ativas. Outra coisa legal é que democratizou o acesso a equipe pois as meninas de qualquer região do país podem se classificar sem precisar de grandes deslocamentos.A minha única sugestão é que no cálculo do rating performance se exclua partidas contra unrateds pra assim o cálculo ficar mais justo.









”

XDB: 2) Em que medida a ausência da Vanessa Feliciano é um prejuízo para a representação brasileira, e nesse sentido, seria interessante esse ciclo ter a margem de chamar ao menos uma ou duas jogadores por outros critérios?

AA: “Obviamente a ausência da Vanessa Feliciano será sentida do ponto de vista técnico. Ela na minha opinião, entre os anos de 2012 a 2014 jogava com força de WGM e junto com a Terao e Tatiana (Ratcu) são as 3 mais fortes da história. Fico triste de ela não ir também por todo carinho que tenho por ela, mas a verdade é que as outras estão mais focadas no xadrez e nesse momento são as 5 que merecem estar nos representando. Torço muito pra que a Vanessa volte a se dedicar e a participar dos torneios, mas isso é uma questão muito pessoal.











XDB: 3) de uma maneira geral, como vc avalia a impacto do ciclo no desenvolvimento técnico do xadrez feminino nacional?











AA: “Eu já falei um pouco sobre isso na 1a pergunta mas achei extremamente positivo o impacto e hoje temos mais de 10 jogadoras acima de 2000 e várias jogadoras conseguindo resultados contra fortes jogadores do circuito.”

XdB: 4) Vc estará à frente dessa nova equipe renovada que saiu do Ciclo?











“Como o Darcy (Lima, presidente da CBX) não me pediu off acho importante esclarecer os motivos pelos quais não pude aceitar o convite que me foi feito até pra evitar especulações.Eu estou há 3 anos no Colégio Augusto Laranja e fui contratado com o objetivo de tornar a Escola a número 1 em xadrez no Brasil.Trabalho lá com vários campeões paulistas e brasileiros em um projeto revolucionário para o nosso país em termos de xadrez.A FIDE havia marcado a Olímpiada para o meio de setembro e o Brasileiro Escolar já estava definido de 2 a4 de setembro desde o começo do ano,aí no meio de março a FIDE mudou a data da Olimpíada de amneira até estranha e eu já havia assumido o compromisso com a Escola de estar no Brasileiro que é meu grande objetivo do ano.Somado a isso,minha mãe descobriu um tumor na uretra em Abril e está em tratamento desde então,mas apesar dos bons resultados é impossível ter certeza da duração então não teria como dar certeza que poderia me ausentar.Então gostaria de deixar claro que fiquei honrado com o convite e a confiança e estou tendo que recusar com dor no coração porque queria muito poder ajudar as meninas e representar o Brasil mais uma vez.
 No momento parei um pouco com a minha carreira pra acompanhar o tratamento da minha mãe. Nem jogado torneios oficiais eu tenho mais. Mas se Deus quiser ela ficará boa logo e retomarei a minha carreira de técnico e jogador.”






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Equipe Olímpica 2012, na Turquia

A Xadrez do Brasil deseja toda sorte e sucesso no tratamento, para o pronto reestabelecimento da saúde da mãe do Álvaro Aranha, a agradece sua disposição em conversar com a XDB. E logicamente também torce e muito pelo sucesso da nova equipe feminina que nos representará no Azerbaijão. Acompanhe a cobertura das Olimpíadas na Xadrez do Brasil!

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