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16 de outubro de 2015

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Xadrez Blitz na visão dos GM’s Brasileiros

por marcelopomar

Aproveitando o destaque na cena mundial de xadrez com a realização nesse outubro último em Berlim, Alemanha, do Mundial de Xadrez Rápido e Blitz, a Xadrez do Brasil consultou alguns dos principais GM’s brasileiros sobre sua relação com o xadrez na internet, se jogam partidas de blitz, em que quantidade, seus sites prediletos e se isso tem relevância em seu treinamento. Confira o que pensam Leitão, Milos, Krikor, El Debs e Matsuura.

Entre os GM’s inquiridos, Krikor e Leitão foram os que mais falaram sobre o assunto, mas a seu modo todos deram uma contribuição ao artigo. O que ficou comum entre todos eles é que quase nenhum joga com muita frequência na atualidade. Por motivos variados, todos declinaram dessa prática de maneira rotineira.

“Hoje em dia muito pouco, o que eu faço muito raramente assim, as vezes eu entro pra jogar umas cinco partidas de 1 minuto, pra passar um tempo, mas é coisa de cinco, dez minutos. Jogar partidas de três ou cinco minutos praticamente não jogo”. (Krikor)

krikorfmx_interna“Hoje em dia eu não jogo praticamente quase nunca. Mais por falta de tempo. Meu próprio treinamento não está tão profissional quanto deveria, por uma questão de eu estar sobrecarregado com outros projetos, principalmente meu site novo que deve ficar pronto nos próximos dias, mas durante muito tempo joguei muito na internet, e eu acredito que uma dieta balanceada, digamos assim, de jogos na internet pode ser bastante benéfica para a preparação de um jogador.” (Leitão)

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Felipe El Debs é talvez o que jogue com mais regularidade entre os GM’s consultados: “Eu costumo jogar sim partidas na internet, não dá mais do que dez partidas por semana em média, não. Já joguei muito mais quando era mais novo, mas hoje em dia jogo muito menos. Costumo jogar partidas de 3 ou 5 minutos, mais ou menos do que isso quase nunca”. (El Debs).

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Everaldo Matusuura e Gilberto Milos foram mais econômicos nas palavras. “Jogo algumas vezes por ano apenas. As vezes jogo no 1 minuto, e de vez em quando no 3 minutos. Mas se contar os dias que joguei esse ano deve dar uns 10 dias. Não considero relevante para o meu treinamento, apenas diversão”. (Matsuura). Já Milos, “jogo uma vez por semana aproximadamente, por uma meia hora, no chess.com” (Milos).

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Sobre a utilidade ou relevância dessas partidas no treinamento, há uma leve discordância de avaliação entre os mais fortes jogadores brasileiros. Uma divergência comum, expressa inclusive no site do número um do país da atualidade, Rafael Leitão. Em recente matéria sobre o Mundial de Blitz, o redator da Academia Rafael Leitão chegou a dizer textualmente “(…) afora a discussão pedagógica sobre os benefícios práticos do Blitz para o Xadrez, que tende a zero (…), opinião que não encontra eco na avaliação do próprio Rafael. “Os artigos que refletem minha opinião pessoal são assinados por mim. Na realidade eu acredito que o Blitz pode ajudar no aprendizado de um jogador. Existem várias formas de conseguir isso”.

 milos

Leitão argumenta que “As partidas servem pra treinar o repertório de aberturas e desenvolver o senso tático. A gente sabe que hoje no xadrez você tem que memorizar uma quantidade gigantesca de variantes, e uma das técnicas interessantes para você conseguir memorizar é a experiência de ter vivido uma partida por mais rápida que seja, ou por mais que seja uma diversão, você acaba se lembrando de partidas que você joga, eu me lembro de partidas blitz que eu joguei, e isso acaba facilitando na memorização. E pra você ver se está furando muito no cálculo. Se você pega uma partida que jogou na internet e passa no computador, e vê uma monte de furo, então você já fica alerta que sua forma tática já não está tão boa. Esses são os principais fundamentos de jogar na internet num ritmo interessante”. (Leitão)

 

Essa opinião dialoga com Krikor e El Debs. “Eu jogo de vez em quando por lazer, mas a maioria dos casos é pra treinar mesmo. Basicamente pra ficar alerta, não ficar muito tempo sem jogar, e também para treinar abertura, memorizando, ver o que está tendo de errado, pra depois rever” (El Debs).

fischer.march31.1972

Bobby Fischer treinando duro (1972)

Na mesma linha Krikor desenvolve seu argumento: “acho interessante incluir isso no treinamento porque é uma coisa que eu fiz muito quando era mais novo. Eu jogava como parte do treinamento, pra treinar abertura, e fazia uma coisa muito disciplinada até. Eu entrava pra jogar e jogava cinco ou dez partidas de três ou cinco minutos, que dá pra pensar um pouco mais, e logo que acabava eu tentava ver o que acertei e errei, as aberturas que eu tinha estudado e tentar melhorar em cima disso. Como o volume das partidas é muito grande eu tinha uma amostra bem razoável para ir testando variantes diferentes das duas cores. E as vezes até ficava uma coisa engraçada porque eu preparava para caras na internet. A questão era aperfeiçoar algumas variantes. Ou mesmo quando eu não sabia bem o que estudar e aí ia jogar, as linhas que eles me jogarem vou estudar em cima disso. As vezes você tá meio perdido, é legal ter um pouco de partida. Além disso jogar cinco minutos é bom, pode ajudar no apuro de tempo, pra você ter reflexos. Hoje em dia com incremento é um pouco diferente, mas ainda assim acho que ajuda, então moderadamente é uma coisa legal de se fazer” (Krikor).

Blitz chess - Anand

Matsuura não considera as partidas de Blitz relevantes para o seu treinamento, mas “acho que pode ajudar em algumas coisinhas, principalmente para aqueles que tem dificuldade de estudar. Mas só até certo nível. E dependendo pode prejudicar se tornar um vício. Acho que o limite seriam umas 30 por semana”. (Matsuura). Já para Milos as partidas são apenas lazer, “mas um pouco de prática tem sua utilidade.

Pelea_ajedrez

Cuidado, no entanto, você que acompanhou até aqui esse artigo. O Blitz na internet tem seus perigos, como alertou acima Everaldo Matsuura, e como expressa de forma categórica Krikor Mekhitarian. “O perigo dessas partidas na internet, que eu sei que acabam descambando pra isso sempre, quando vira um negócio pessoal, assim, você entra pra tentar um treinamento, pra fazer uma coisa pausada, medida, com planejamento, aí você acaba jogando com um cara, perde duas, três vezes, e você quer ganhar do cara, e você perde quando vai pro lado emocional da coisa, e daí quer ganhar do cara, e quando ver já perdeu cinco, e começa a jogar mal, jogar rápido, e já perdeu todo o sentido. Isso já aconteceu muito comigo, e tenho certeza que acontece muito. Então você tem que definir se quer se divertir, se diverte, porque é bem legal. O principal é definir o que você quer, se quer só se divertir, você vai e brinca. Mas se você quer levar a sério tem que tomar muito cuidado para o negócio não descambar e virar um estresse, quando você perde e leva a coisa para o pessoal. Acho que isso é importante para quem joga na internet ou quer começar a jogar para incluir no treinamento, tomar cuidado senão acaba virando um problema, acaba perdendo muito tempo, vai terminar cansado e bravo com o xadrez, e não vai ter ganhado nada com isso”. (Krikor).

blitz

Entre os muitos sites citados pelos GM’s para a prática, a preferência é para o ICC, seguido pelo chess.com, Playchess e Chess24.com. A redação da XdB inclui nessa lista de recomendações o gratuito lichess.org, como uma alternativa interessante aos amigos leitores.

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1 Comentário Comente
  1. out 17 2015

    Então, basicamente disseram que, se partidas rápidas ajudam em alguma coisa, é pra treinar reflexos no apuro de tempo e linhas de abertura, por causa da quantidade grande de repetições.

    Responder

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