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16 de janeiro de 2015

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Umetsubo no Floripa Open

por danielmariani

Em visita ao Floripa Open, César Umetsubo conversou com Xadrez do Brasil sobre o evento e sua opção em jogar a final do brasileiro ao invés do Open e do ITT Floripa Masters.

XdB: Como o jogador mais forte de Florianópolis, talvez o mais forte do estado de Santa Catarina, e representante do Clube de Xadrez de Florianópolis, que organiza o evento, o que você está achando do torneio?

César: Eu acho que esse está sendo um sucesso. Tava até preocupado se o torneio ia conseguir trazer tanta gente, mas tem gente pra caramba. É muito bom ver tantas pessoas, vários amigos do xadrez… A qualidade dos jogadores também, são muito bons, mas o que mais se destaca é o amor que esse pessoal tem pelo xadrez. Isso é muito massa.
Tem os laços de amizade entre os jogadores, tem jogador que passa mais tempo fora do tabuleiro do que jogando sua partida… eu por exemplo não vim pra jogar, mas para prestigiar e rever tanta gente que eu gosto.

XdB: Como jogador experiente, tem algo de especial nesse torneio em relação aos que você já participou?

César: Deixa eu pensar… é um torneio longo, são 10 rodadas. É cansativo, mas é proveitoso porque às vezes você acaba um torneio e fica pensando que não jogou com quem queria jogar. No suíço a força dos jogadores vai sendo nivelada e da metade pra frente você acaba enfrentando aqueles com força próxima. Se você fizer um torneio de três dias, por exemplo, sexta/sábado/domingo, tem que ser 6 rodadas ou, estourando, 7 rodadas, e se acabar jogando só com 3 pessoas de nível próximo você pode acabar ficando com a sensação de que queria ter jogado mais.

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Essa época do ano eu acho que é acertada pra fazer um torneio de grande porte, porque bastante gente está de férias ou algum tipo de recesso. Por exemplo, quem trabalha ou estuda tem mais facilidade em contornar isso e pegar uma folga no trabalho. E são poucos os torneios deste porte aqui no Brasil. A maioria dos torneios de grande importância, como o continental e a olimpíada, são torneios longos e os principais amantes do xadrez, acostumados a jogar torneios de 6 ou 7 rodadas, quando pegam um torneio longo, de 10, 11 rodadas, é uma porrada, é dureza. Pra quem não tá habituado é muito desgastante, mental e fisicamente. Muitas vezes lá pela 6ª ou 7ª rodada você já encontra algumas pessoas que estão muito cansadas ou até desanimadas e só pensam em descansar pra tentar recuperar força ou energia pro resto do torneio. Tem que fazer um trabalho motivacional, ver um videozinho do Ayrton Senna pra recuperar a energia, sabe?

XdB: A CBX tomou uma decisão estranha ao marcar a final do brasileiro em cima do Open, que é um dos maiores torneios aberto já realizado no brasil, e você acabou optando por jogar a final. O que você acha que é mais importante na final do brasileiro em relação ao Open?

César: Essa minha decisão, sobre quais torneios jogar, foi difícil, mas eu sabia que qualquer das decisões tomadas me faria lamentar por alguma parte. Uma opção seria jogar o aberto e o ITT Floripa Masters; a outra opção seria jogar a final do brasileiro. Isso é uma situação desnecessária, não precisava ter acontecido. Os torneios daqui foram agendados há muito tempo, desde agosto ou setembro, e a CBX poderia ter agendado isso de forma a não bater as datas.

XdB: Você acha que faltou um pouco de respeito por parte da CBX para com os jogadores?

César: A decisão prejudica os jogadores. Acaba que o Open não se torna um fracasso por conta disso, porque o pessoal veio prestigiar, mas vários jogadores ficaram numa situação parecida com a minha. Eu tive que ponderar várias coisas. É uma questão de perspectiva de jogador para jogador. Para alguns jogadores, que já foram campeões brasileiros algumas vezes (e já jogaram várias vezes), talvez não tenha grande relevância jogar mais um, mas para jogadores que estão estreando é diferente… eu não estou estreando, mas é a segunda vez que eu jogo. Eu fui muito feliz de conseguir a terceira colocação no passado, que me deu a vaga pra esse. Conseguir essa vaga é muito difícil. Só de lembrar a suadeira que foi conseguir a vaga pelas semifinais! Esse foi o meu aborrecimento em relação a isso de marcar a data da final coincidindo com os eventos em Floripa.

Eu pensei também em jogar os torneios de Florianópolis e deixar o brasileiro de lado, porque isso aí foi marcado de maneira incorreta e assim eu mostraria o quanto eu fiquei indignado. Infelizmente a final do brasileiro tem um valor difícil de estimar, é um sonho tentar acertar esse torneio. Vou precisar de um pouco mais de xadrez, de sorte, pra conseguir o titulo, mas agora que eu tenho a oportunidade, tenho que tentar. A final do brasileiro é um torneio muito legal de jogar e muito visado, por isso tenho tanto interesse em participar. Também tem a questão da bolsa atleta, que contempla os três primeiros colocados. O problema é que mesmo depois e conseguir a classificação ainda é difícil enviar os documentos e solicitar a bolsa.

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XdB: Parece que existe um conflito, algo mal resolvido, entre a CBX e o Ministério dos Esportes, o que dificulta o processo.

César: Bom, eu tive muita dificuldade pra conseguir essa bolsa. Eu procurei essa papelada, o que precisava, etc., mas o processo todo é difícil. Agora, em relação ao conflito eu não estou bem informado, se é com o Ministério ou com o COB, não sei muito a respeito.

XdB: E esse brasileiro que você ficou em 3º foi um torneio excelente, você ganhou de vários jogadores com rating superior, mas talvez tenha faltado um pouquinho para ser campeão. Você acha que esse ano vai levar na bagagem o que faltou na edição passada?

César: Trabalhar pensando em perspectiva não funciona muito pra mim, não me faz muito bem. Digamos que não me dá sorte. Eu costumo não pensar em visar um resultado. Claro, há resultados que vão me deixar muito feliz, por exemplo ficar em 3º novamente, mas eu não vou ficar contando quantos pontos preciso fazer. Prefiro jogar uma partida de cada vez e desfrutar disso, tentar aproveitar o prazer disso. é mais ou menos assim que eu toco a maioria dos torneios.

Cesar Umetsubo 01

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1 Comentário Comente
  1. juliano
    jan 19 2015

    Muito bacana a entrevista, pessoal! Boa sorte ao César no brasileiro. Esperemos que a CBX tome mais cuidado nos agendamentos de torneios.

    Responder

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