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6 de agosto de 2014

Brasil é derrotado pela inexpressiva Indonesia

por marcelopomar

Derrota para Indonésia é desastrosa.

A equipe olímpica de xadrez do Brasil foi muito mal pela quinta rodada das Olimpíadas de Xadrez 2014, em Tromso na Noruega, e foi derrotada por 2,5:1,5 para uma equipe quase inexpressiva no cenário mundial. Ao contrário do Uzbequistão, que tem o peso do xadrez soviético à sua sombra, a Indonésia quase não possui tradição na nobre arte, e teve apenas 4 GM’s em toda sua história. Pelo rating médio a seleção brasileira tinha 214(!) pontos de vantagem. Outra vez o Brasil prescindiu de sua escalação mais forte, optando por um rodízio forçado que não se explica. Dessa vez quem ficou de fora foi Alexadr Fier, GM brasileiro mais ativo no circuito europeu, e que poderia ter jogado de brancas no segundo tabuleiro.

Megaranto (2527) 1 x 0 Leitão (2649)

Com o perdão do trocadilho infame, o melhor jogador indonésio dos últimos tempos se garantiu de brancas contra o melhor jogador brasileiro da atualidade. Rafael saiu bem da abertura, uma variante Zaitsev da Ruy Lopez. Parecia que tinha resolvido todos os problemas do centro, conseguido vantagem na ala da dama, e neutralizado o ataque na ala do rei. Tudo que alguém deseja numa Ruy Lopez de pretas. Mas uma inversão na ordem de lances para se defender no apuro de tempo e veio o golpe arrebatador. Sacrifício de Cf5, seguido de invasão da dama em h6. E já não era possível fazer mais nada. Megaranto manteve a tranquilidade e forçou a capitulação de Leitão.

megaranto-leitao

Posição após lance 33…. hg6 34. Chf5! +-

veja a partida

Krikor (2568) ½ x ½ Farid (2400)

Krikor lutou, em outra Ruy Lopez, e conseguiu, assim como na sua partida anterior, vantagem interessante na abertura. No entanto paulatinamente sua vantagem foi se esvaindo, ao mesmo tempo em que via a posição de Leitão desmoronar no tabuleiro ao lado. Numa partida sem muitos brilhantismos, as pazes vieram depois de 57 lances, e ao que se entende pelo site oficial do evento, oferecidas após o lance de Krikor. Foi a última partida a terminar, e portanto a que selou a derrota.

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Ali Lutfi (2339) ½ x ½ Milos (2583)

Ali Lutfi teve mais sorte que juízo. Na terceira partida do match em que foi jogado uma Ruy Lopez, Milos não se saiu tão bem da abertura quanto Leitão, mas manteve as coisas sob controle. No entanto, quando os acontecimentos começaram a ferver, e a tática borbulhou no tabuleiro, Milos não enxergou claramente o caminho para a vitória, também pressionado pelo tempo. Depois de 37. Da7?, a combinação de rei exposto do branco, mais ataque à descoberta na dama seria decisiva. Depois disso, e com o primeiro controle de tempo vencido, Milos opta deliberadamente em entrar numa linha de empate forçado. Uma combinação bonita, que envolve sacrificar a dama, mas manda embora as chances de vencer a partida, e diminui as chances da equipe no match.

Ali-Milos

Posição após lance 38.Da7. Aqui o fino 38…. Cf6 descobre a defesa na torre de b8, e aponta para as casas e4 e g4, com vantagem decisiva.

veja a partida 

El Debs (2520) ½ x ½ Priasmoro (2250)

Uma partida sem maiores emoções. El Debs jogou de maneira contida, sem correr riscos, e sempre com uma pequena vantagem, sem ser possível convertê-la no entanto. Não conseguiu fazer valer sua força nominal que era bem mais expressiva que a do adversário, mesmo jogando com as brancas. Acelerou a troca de damas numa condição desfavorável e jogou um final cujas chances práticas de vitórias contra um jogador (+2200) eram praticamente nulas. O empate veio em 60 lances.

veja a partida 

Escalações equivocadas, rodízio inexplicável

Após essa derrota, o Brasil ainda terá alguma chance de se recuperar. A Olimpíada é um torneio longo, e perder para times mais fracos é algo bastante normal em torneios por equipes. No entanto, parece importante aprender com os erros, e estar aberto a críticas e sugestões.

A seleção brasileira de xadrez, assim como a de futebol, de basquete ou vôlei, é um patrimônio nacional, e quando senta para jogar uma competição desse nível, representa a todos nós que amamos o xadrez e desenvolvemos ele no Brasil.

A pergunta que não quer calar é a seguinte: porque não usar as escalações mais fortes nos matchs mais importantes?

Não se trata de desrespeito ou falta de valorização aos nossos GM’s com rating menor, mas significa partir do princípio que há GM’s no Brasil, nessa seleção olímpica, com uma bagagem mais adequada para jogos dessa envergadura. Milos e Leitão são respeitados internacionalmente, tem conquistas e vitórias expressivas e impõe respeito a qualquer adversário do planeta. Fier, um passo atrás, é um dos jogadores mais ativos do Brasil no exterior, já teve 2644, e também é reconhecido internacionalmente. Usar melhor as nossas forças e ferramentas é algo mais inteligente e menos previsível do que impor um rodízio em que nossos adversários já sabem, de antemão, quem jogará amanhã.

Essa crítica não é dirigida aos GM’s, e nem tem o intuito de baixar a estima dos nossos guerreiros. Essa critica vai à direção da CBX, e a quem tiver “escalando”a equipe, basicamente sem critério nenhum. O rodízio forçado é quase o não-critério.

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